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Teatro acessível: espetáculo inclusivo.

O ‘invisível’ salta aos ouvidos: espetáculo inclusivo mergulha espectador num mundo de sombra e pouca luz

“Cachorro” é uma peça curta, em homenagem ao escultor Alberto Giacometti.

“Eu fecho os meus olhos para ver”. A afirmação do pintor francês Paul Gauguin (1848-1903) nos convida a prestar mais atenção às coisas que muitas vezes podem estar invisíveis aos olhos. Você já experimentou? Uma peça teatral que entra em cartaz nesta quinta-feira (8), no Miniauditório do Teatro Guaíra, em Curitiba, pode te ajudar a fazer isso de uma maneira delicada e poética.

“Cachorro” é uma peça curta, em homenagem ao escultor Alberto Giacometti, escrita por uma das mais importantes dramaturgas alemãs da contemporaneidade, Dea Loher, que fala sobre uma velha prostituta cega que está nas ruas de Paris quando confunde um homem manco com um artista. A senhora o leva para casa, mas descobre que, na verdade, ele é um ladrão.

Dirigido por Márcio Mattana e com elenco composto por Fábio Costa e Juliana Partyka, o novo espetáculo da Monstruosa Companhia de Teatro, ainda conta com três sessões acessíveis ao público com deficiência visual, nos três domingos da temporada, que incluem uma dinâmica interativa, com entrada antecipada das pessoas com deficiência visual, apresentação e contato com cenários e figurinos e atores.

“As pessoas podem esperar um espetáculo que fala de abandono e de anonimato para quem quer ter a experiência de entrar um pouco em um mundo de sombras e de pouca luz. Ele deve ser escutado com cuidado. Os ouvidos devem estar atentos às delicadezas do texto e das personagens”,afirma Mattana.

Teatro acessível

O projeto de acessibilidade foi uma proposta da atriz Juliana Partyka, que, no período de graduação, trabalhou com deficientes visuais em sua pesquisa de dramaturgia inclusiva e ganhou apoio do Instituto Paranaense de Cegos (IPC).

Na sessão de domingo, um ator a mais (o diretor Márcio Mattana) narra as ações conforme as próprias instruções da autora. “Valendo-se de percepções sensoriais, a peça oferece uma experiência teatral sugestiva, e diferente daquela oferecida pela áudio-descrição. Busca-se provocar o repertório individual e particular de cada um, através do contato direto com o espetáculo”, explica Juliana.

A experiência da atriz de observação das dinâmicas perceptivas e corporais das pessoas com deficiência visual e de como elas usam as referências auditivas para se organizar espacialmente foi o ponto de partida para o projeto. Mattana conta que, nos ensaios, Juliana trabalhou durante meses de olhos fechados para se guiar pela audição. “Em uma outra fase da construção do espetáculo, ela passou a atuar de olhos abertos, já com a memória corporal do que vivenciou sem enxergar”, revela o diretor.

Serviço
Teatro: Cachorro, de Dea Loher, com direção de Márcio Mattana
Local: Miniauditório do Teatro Guaíra
Datas: De 08 a 25 de março (de quinta a domingo), às 20 horas
Sessões acessíveis: 18 e 25 de março (domingos), às 19h30
Ingressos: R$ 30 e R$ 15

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Fonte: TOMMO (Luciana Pioto).

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