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Sinais e diagnóstico do Autismo

No mês anterior, havia proposto falarmos sobre os sinais precoces a serem observados para avaliação e diagnóstico do TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), pois a avaliação é de suma importância para que se tenha um diagnóstico precoce, sendo que quanto mais cedo essa  criança for diagnosticada, e iniciar as intervenções  terapêuticas, melhor será o prognóstico.

Sabemos que o autismo não tem cura, mas com as terapias adequadas, a qualidade de vida tende a ser muito boa, e dependendo do grau, a pessoa poderá ter sua total independência. Por isso, devemos observar nossas crianças, desde bebê, para que ao notarmos qualquer sinal diferente, possamos relatar ao pediatra e esclarecer as dúvidas.

É  importante que todas as pessoas  que convivam com a criança, passem a prestar atenção em seu desenvolvimento,  pois esses  olhares atentos poderão ajudar e muito para que não passe despercebida a falta de algum comportamento que não está acontecendo na fase que deveria ocorrer, ou esteja ocorrendo de forma inadequada.

Lembrando sempre, que quando o diagnóstico ocorre tardiamente, compromete seriamente o desenvolvimento de adaptação  social do indivíduo, limitando seriamente o funcionamento ao longo de sua vida. Sem a detecção  precoce, a criança com TEA perde etapas essenciais nos primeiros anos de vida e prejudica a aquisição  de pré-requisitos, pois a criança passa por várias etapas para se desenvolver, e se uma etapa deixar de acontecer, automaticamente outras etapas também serão prejudicadas  acontecendo de forma insatisfatória ou não acontecendo.

Alguns sinais precoces sugestivos de TEA(Transtorno do Espectro do Autismo) antes dos três anos de idade:

-Pouco contato visual: a criança desde um/dois meses de idade já tem desenvolvida a capacidade de olhar. Então é bom estar atento a esse detalhe. Caso a criança não desenvolva esse contato através do olhar, uma conversa com o pediatra é muito importante.

-Ausência de balbucio: A criança, a partir dos três meses de idade já inicia balbucios (resmungos), em resposta à fala dos adultos dirigidos a ela, como forma de imitação.

-Indiferença ao colo: Geralmente os bebês não gostam de ficar muito tempo no berço, ou no carrinho, então devemos prestar atenção à criança que prefere ficar isolada e sozinha, mantendo-se alheia aos movimentos de outras pessoas.

-Falta de gestos sociais: Por volta dos oito meses, a criança já inicia o processo de dar tchau, mandar beijo e por volta dos dez meses, já tem algumas atitudes de gestos sociais que aprende. Se até por volta de um ano, a criança não tiver desenvolvido nenhum desses gestos, é bom estar atento.

– Brincadeiras pobres ou sem contexto: brincar sempre com a mesma coisa, não ter criatividade ou imaginação no ato de brincar; as  vezes até imita a brincadeira de outra criança, mas não consegue dar continuidade, fica sempre  preso aquele momento/gesto, tornando-se extremamente repetitivo.

– Auto agressividade: agredir-se a si mesmo ou desenvolver agressividade com outras crianças ou outras pessoas. Com a criança muito agressiva nos três primeiros anos de vida, deve-se ter sempre um olhar muito atento, pois pode ser sinal de autismo.

– Brincadeira de Faz-de-conta e esconde esconde: Essas são brincadeiras que as crianças por volta de 11, 12 meses adoram brincar. Essas brincadeiras as deixam muito felizes, causam nelas um prazer muito grande.  Se até por volta dessa idade, a criança não sabe ou não tem interesse nessas brincadeiras, é necessário relatar ao pediatra para investigações.

– Rituais, manias e estereotipias:  Se dentro dos três primeiros anos de vida, a criança tiver  manias, sem nenhuma finalidade social, como apego exagerado a determinado objeto, manias de rodar objetos de forma estranha, fixação por luzes, ou objetos que rodam, movimentos repetitivos das mãos; tudo isso deve ser levado em conta ao solicitar ao pediatra uma avaliação mais atenta e detalhada.

Devemos levar em consideração que, ao percebermos um desses sinais em nossa criança, não devemos ficar desesperados e já diagnosticarmos. A avaliação detalhada por um pediatra e o encaminhamento a um neuropediatra são de fundamental importância, pois esses são apenas sinais sugestivos, e somente com outras avaliações é que obteremos um diagnóstico assertivo.

Outros sinais significativos que levam à suspeita de TEA pelos pais, é a falta de comunicação e de fala da criança. Muitas crianças também apresentam problemas alimentares e alterações de sono, fazendo com que os pais procurem ajuda e investiguem a causa ou suspeitem do TEA.

Quanto mais cedo a criança é levada ao pediatra, mais nós pais nos lembramos de detalhes de comportamentos desenvolvidos ou não. Quando levamos nossa criança ao pediatra apenas bem mais tarde, deixamos passar despercebidos detalhes que seriam muito importantes de serem relatados. Por exemplo, se eu levar minha criança ao pediatra apenas aos dois anos de idade, será que me lembrarei de como era o olhar dela aos dois meses de idade, ou será que me lembrarei de relatar esse detalhe?

Pode parecer apenas um pequeno detalhe, mas quando falamos em autismo, cada comportamento precisa ser muito bem detalhado para que o diagnóstico seja correto, e assim a criança possa começar as intervenções terapêuticas necessárias o mais cedo possível.

Espero que com essas informações, possamos ter um olhar diferenciado para o desenvolvimento de nossas  crianças.

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Antonia Cia – Ativista da causa do Autismo, avó e cuidadora de autista, estudiosa na área do autismo. Formada em Processos  Gerenciais, graduanda em Pedagogia. Participante de vários grupos de discussão sobre o TEA e Organizadora de Seminários sobre o TEA. 

Se você quer conversar com a Antonia sobre o Autismo, entre em contato com ela:
(41)99255-8739 | fin.saojosedospinhais@microlins.com.br

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