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Deficiente visual mantém viva a prática do radioamadorismo

Jailson de Oliveira conta que ficou perdido em Maceió e foi resgatado com ajuda do antigo meio de comunicação

Mais do que um hobby, a comunicação com rádio amador tem sido um importante instrumento de prestação de serviços e auxílio em difíceis situações do dia a dia para Jaílson de Oliveira Silva, que é deficiente visual e trabalha como massoterapeuta na cidade de Arapiraca (Alagoas).

Jaílson de Oliveira é cego de nascimento e pai de uma adolescente com a pedagoga Elielma Silva, que tem ajudado o marido desde o início da paixão pelo radioamadorismo, há aproximadamente cinco anos.

“Meu primeiro contato com a comunicação via rádio aconteceu muito tempo atrás, durante uma ação da polícia. Achei aquilo muito interessante e despertou meu desejo de ter um equipamento igual em minha casa”, lembra.

O massoterapeuta conta que o amigo Sávio Ribeiro foi quem repassou as primeiras informações acerca do radioamadorismo.

Em seguida, Jaílson de Oliveira procurou a representação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Maceió, a fim de fazer treinamento, ficar habilitado legalmente para manusear os equipamentos e se comunicar com outras pessoas mundo afora.

Durante o treinamento na Anatel, Jaílson de Oliveira conta que, devido à falta da visão, sua esposa gravou todas as apostilas em áudio.

“O resto foi fácil. Tirei uma das maiores notas no curso e consegui minha habilitação com 98% de aproveitamento”, comemora o massoterapeuta.

Para conseguir realizar o antigo sonho, Jaílson também destaca o apoio que recebeu da professora Maria Vicentina,  especialista na educação na língua de sinais em Arapiraca e região.

Depois de concluir o curso de radioamador, Jaílson instalou uma antena de transmissão no quintal de casa e mantém a bancada de operação do rádio na sala de sua residência.

Atualmente, a licença para operação do rádio de Jaílson é na frequência compreendida entre 144 e 148 gigahertz, estabelecida para comunicação numa área específica de abrangência entre os estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe. “O rádio praticamente salvou minha vida e não troco ele por nada nesse mundo.”

Jaílson de Oliveira relata que o contato com a Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão de Alagoas (Labre) foi outro ponto marcante em sua vida.

Além do bate-papo altas horas da noite e de fazer novas amizades, o radioamadorismo ajudou Jaílson a sair de uma situação extrema em sua vida.

Durante viagem a Maceió, o massoterapeuta cochilou no banco de uma van de transporte alternativo de passageiros e foi parar num lugar totalmente desconhecido na capital alagoana.

Como sempre anda com o seu transmissor de rádio, ele imediatamente entrou em contato com os colegas que foram até seu encontro e o ajudaram a retornar são e salvo para a cidade de Arapiraca.

“Em relação ao telefone celular e à internet, a vantagem do rádio amador é que ele funciona mesmo quando falta energia elétrica, por isso não troco ele por nada nesse mundo”, enfatiza. Jaílson de Oliveira, que sonha em breve mudar de faixa de frequência para se comunicar com mais pessoas pelo mundo.

Fonte: Tribuna Independente (Davi Salsa).

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