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A mulher e o Transtorno do Espectro do Autismo

Feliz Mês da Mulher! Sim, não só o dia 08, mas todo o mês e por quê não todos os dias do ano? Nesse mês vamos falar um pouco da mulher.

Mulher, mãe, cuidadora, educadora, protetora do lar… Enfim, todas as mulheres que desempenham uma função dentro ou fora do lar. Pois a mulher que não exerce uma função fora do lar, muitas vezes é vista como aquela que não trabalha. Já pensamos quanta coisa existe dentro de uma casa para ser feita? Vale a pena, pensarmos nisso e se não encontrarmos tarefas suficientes, vamos assumir um dia o lugar dessa mulher e fazer tudo o que ela faz.

Sabemos o quanto é importante a presença da mulher em todos os campos de atuação. Vejamos a importância delas também na educação dos filhos. A educação dos filhos é uma função que deveria ser desempenhada pelo casal, pois a formação da criança precisa desses dois pilares de sustentação para se desenvolver com segurança. Hoje vamos falar da mulher, que cuida de uma pessoa dentro do Transtorno do  Espectro do Autismo (TEA). Seja ela a mãe, a cuidadora, no meu caso específico, a avó ou outras tantas situações que ocorrem.

Cuidar de uma pessoa com TEA, seja ela criança, adolescente ou adulto, é uma tarefa cansativa porque temos que estar atentas o tempo todo para evitar situações que possam gerar uma desorganização nessa pessoa. Depois de desencadeada essa crise, o tempo necessário para que se restabeleça a calma é muito longo, podendo levar horas, como também o dia todo. Uma situação de descontrole que ocorreu durante o dia dessa pessoa com TEA, acaba acarretando inclusive numa noite de insônia, o que gera um desgaste muito grande para a pessoa que cuida, pois após um dia todo de cuidados, ainda terá mais uma noite acordada e no outro dia terá todos os afazeres para dar continuidade.

Imagine como será o dia dessa pessoa com TEA que também não dormiu à noite? Certamente estará mais nervosa, mais irritadiça e passará um dia agitada, demandando assim maior cuidado e atenção. E tudo isso acarreta mais preocupação à pessoa que cuida, pois se sente muitas vezes impotente para auxiliar no desenvolvimento, sentindo-se responsável quando as coisas não funcionam.

É uma função desgastante e tudo isso é feito com dedicação, sem reclamações e sempre com muito, muito amor, pois sabemos o quanto a pessoa que está sob nossa responsabilidade precisa de tudo isso. Essa mulher precisa de cuidados, de atenção, de um ombro amigo; pois o choro, às vezes, se torna uma válvula de escape para certas situações. Pode ser de desespero por não saber o que fazer, mas muitas vezes é um choro de alegria porque mesmo estando no espectro autista, essas pessoas nos surpreendem pelas evoluções e superações que a maioria delas consegue.

Essa mulher, também tem sonhos, anseios, projetos! Apesar de se dedicar com o maior amor à pessoa que precisa dela, ela continua sendo mulher, fazendo parte de um mundo onde tudo acontece e ela anseia por fazer parte disso.

Aí está a necessidade de olharmos para essa mulher com a atenção que ela precisa, colocando-nos à disposição para auxiliá-la e dividir  um pouco de suas tarefas. Ela precisa ter um tempo para pensar nela, para se cuidar, para respirar algo que não seja apenas o cuidar do outro, mas cuidar de si também. Fazer aquilo que lhe é prazeroso, embora saibamos que quando ela se dedica a cuidar do outro, ela também o faz com prazer. Quando damos a essa mulher, atenção, carinho, amor e respeito, estamos dizendo a ela da sua importância, e a incentivamos a continuar, pois a tarefa dividida se torna menos cansativa e propicia uma caminhada mais longa e mais saudável, fazendo com que ela esteja bem consigo mesma.

Ao vermos essas mulheres sempre correndo de um lado para outro, dispostas, sorridentes, dando conta de tudo o que precisam, muitas vezes não nos damos conta de que mesmo aparentando toda essa fortaleza, elas podem estar prestes a desabar  a qualquer momento. “O nível de estresse em mães de pessoas com autismo assemelha-se ao estresse crônico apresentado por soldados combatentes, segundo estudo feito com famílias norte-americanas e divulgado no Journal of Autism and Developmental Disorders. De acordo com a pesquisa, mães que convivem com o autismo dos filhos empenham por dia duas horas a mais com cuidados do que as mães de crianças sem o espectro e têm mais interrupções quando estão no trabalho.” Precisamos estar atentos, pois essas mulheres nem sempre pedem socorro, pois elas se sentem responsáveis pelo cuidar, mas elas precisam muito!

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Antonia Cia – Ativista da causa do Autismo, avó e cuidadora de autista, estudiosa na área do autismo. Formada em Processos  Gerenciais, graduanda em Pedagogia. Participante de vários grupos de discussão sobre o TEA e Organizadora de Seminários sobre o TEA. 

Se você quer conversar com a Antonia sobre o Autismo, entre em contato com ela:
(41)99255-8739 | fin.saojosedospinhais@microlins.com.br

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